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Moscovo (Rússia) - O peso da história

O Kremlin possui no seu interior catedrais, museus, edifícios governamentais e a famosa praça vermelha, representa o poderio político, histórico e cultural da Rússia
Moscovo, a capital da Rússia, permaneceu praticamente fechada ao turismo durante décadas como consequência da guerra fria. Hoje é procurada intensamente por visitantes de todo o mundo para conhecerem as suas obras-primas da arquitetura, as suas largas avenidas e os seus principais monumentos. Durante muitos anos, as poucas imagens de Moscovo que chegavam ao resto do mundo, eram dos gigantescos desfiles militares que tinham lugar na Praça Vermelha, em datas especiais. Apesar dos russos serem ainda muito fechados ao turismo ocidental e com procedimentos administrativos para entrar do país difíceis de entender para um ocidental, além de uma língua pouco simpática, todos estes fatores não afastam os ávidos turistas que querem conhecer esta magnífica cidade. 
A forte ocidentalização da cidade é evidente, bem como um certo estilo de vida da população, espelhado nas multinacionais da alimentação, da hotelaria, entre outros ramos de atividade, o que contrasta com a ideologia socialista que governou este país praticamente durante todo o século XX. 

Talvez a palavra que melhor define a cidade de Moscovo seja ‘Grandeza’… das avenidas, dos monumentos, do peso da história e do famoso metropolitano da capital russa.

A praça Vermelha, com a catedral de S. Basílio ao fundo,
é o coração da capital russa e o seu maior símbolo
Para a grande maioria dos turistas ocidentais, visitar Moscovo é conhecer lugares que nos remetem para o nosso imaginário, talvez pelas imagens dos grandes desfiles militares da guerra fria, como o Kremlin e a Praça Vermelha. Efetivamente, a Praça Vermelha (Krásnaya Ploshchad) é o coração da cidade; trata-se de uma ampla praça pedonal construída no século XIV, e rodeada de edifícios dessa época, mas também com edifícios governamentais, estalinistas, da primeira metade do século XX. A praça vermelha deve o seu nome, não a qualquer ideologia política, nem à cor das muralhas circundantes, mas ao antigo eslavo que deu o nome a esta praça de ‘Krásnaya’, que significa além de vermelha, formosa.

A muralha que delimita o Kremlin
O Kremlin, uma cidadela, cujas muralhas possuem um perímetro com cerca de 2,5 Km e ao longo das quais se erguem 18 torres de combate, é o conjunto arquitetónico central de Moscovo, o coração da Rússia e símbolo da sua grandeza. No seu interior foram construídos, além da catedral de São Basílio; a catedral da Dormição; a catedral da Anunciação; a catedral de S. Miguel Arcanjo, o Arsenal, o Senado e o grande palácio do Kremlin, além do GUM, um luxuoso centro comercial e do mausoléu de Lenine, entre outros. Para além deste vulto da Rússia, encontram-se também sepultados nesta praça, mesmo ao lado do mausoléu de Lenine, outros vultos da história da Rússia, ex-presidentes e o cosmonauta soviético Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar pelo espaço.


O Mausoléu de Lenin pode ser visitado em determinados dias. À esquerda, na fotografia,
encontram-se sepultados outros vultos da história da Rússia
Pormenor das torres e cúpulas da Catedral de S. Basílio
Decoração interior da Catedral de S. Basílio
A catedral de São Basílio parece saída de contos de encantar, a beleza da sua arquitetura inovadora, com cúpulas ricamente coloridas e com detalhes magníficos, fazem desta catedral um dos postais ilustrados de Moscovo. Mas a história deste magnífico edifício é intrigante; a catedral foi mandada construir pelo Czar Ivan, o Terrível, que exigiu aos arquitetos um edifício de rara beleza mas, depois de concluída, o Czar mandou cegar os arquitetos para não repetirem essa beleza noutros edifícios.

A Catedral da Anunciação
Situada no interior do Kremlin, na chamada praça das catedrais, a Catedral da Anunciação era utilizada para coroação dos Czares e nela se encontram as sepulturas de importantes líderes da igreja ortodoxa russa. Mas o maior brilho desta catedral vem do seu interior, ricamente decorado com ícones religiosos, que cobrem todas as paredes.

Galeria principal do luxuoso centro comercial GUM no Kremlin
O centro comercial GUM (Glavny Universalny Magazin) situa-se em plena praça vermelha e é um dos mais luxuosos do mundo. Naturalmente que a sua principal clientela são os visitantes ocidentais e os russos com elevados rendimentos, devido aos artigos de luxo e respetivos preços. O que não deixa de ser curioso, é o facto deste luxuoso Shopping situar-se em frente, a cerca de 200 metros, do mausoléu de Lenin e da sepultura de Stalin... as voltas que a História dá!

O magnífico edifício do museu do Arsenal (Armeria) situa-se no Kremlin


O Arsenal, situado no Grande Palácio do Kremlin, foi fundado em meados do século XV e é o museu mais antigo da Rússia. É o museu da Rússia czarista; atualmente possui a coleção de joias reais russas, incluindo grande parte dos famosos ovos de Páscoa de Fabergé, uma coleção única dos vestidos de coroação, roupas e armas medievais, carruagens utilizadas pela família dos Czares nas suas deslocações e muitas outras peças e utensílios utilizados pela família real. A riqueza do espólio deste museu faz dele um dos procurados pelos turistas, o que se traduz em longas filas de espera, mas vale a pena o esforço. O nome deste museu deve-se ao facto de, inicialmente, este edifício ter sido destinado às oficinas reais do Kremlin, nas quais eram fabricadas as armas para os exércitos da corte residente dos czares russos, especialmente lâminas e armas de fogo, assim como equipamentos auxiliares, como escudos, armaduras, elmos e cotas de malha.

O Metro de Moscovo constitui um exemplar único na sua espécie a nível mundial; as suas estações assemelham-se a salas de museu, tal é o grau de requinte da sua arquitetura e decoração. Construídas no auge do socialismo, estão povoadas de elementos e figuras da ideologia comunista soviética. (ver apontamento neste blog)


O edifício do Teatro Bolshoi
O teatro Bolshoi tem sede num magnífico edifício da arquitetura russa do século XIX e é, ainda hoje, uma das salas de espetáculo mais famosas do mundo.

A sede do KGB
O edifício da sede do KGB foi, durante as décadas da guerra fria, um dos edifícios mais secretos do mundo.

O McDonald na rua Arbat

A rua Arbat é a principal rua pedonal de Moscovo, onde se encontram lojas com todo o tipo de comércio e esplanadas sendo, por isso, especialmente procuradas por turistas. Naturalmente, também lá se encontram multinacionais americanas de 'fast food' como a McDonald, SubWay, entre outras. Estas manifestações do "American way of life" são muito apreciadas pelos russos que, carinhosamente, referem-se aos estabelecimentos da McDonald, como a Embaixada Americana.

Moscovo é uma cidade grandiosa; o peso da sua história e da sua cultura fazem parte da história do mundo, pelo que uma visita à cidade é inesquecível.

São Petersburgo (Rússia) – O berço da mãe Rússia.


A praça do palácio e o Hermitage, antiga residência dos czares russos, atualmente um dos maiores museus do mundo.
Poucas cidades haverá no mundo com a grandeza histórica, cultural e arquitetónica de São Petersburgo, na Rússia. Criada à imagem de Amesterdão (Holanda), São Petersburgo foi fundada pelo Czar Pedro I (Pedro o Grande) nas margens do rio Neva, à entrada do Golfo da Finlândia, Mar Báltico. Os outros nomes da cidade foram Petrogrado (1914-1924) e Leningrado (1924-1991). Após 1991, a cidade voltou à sua designação original que ostenta até hoje. Conhecida como “A Veneza do Norte”, São Petersburgo é a segunda cidade da Rússia mas, na nossa opinião, mais imponente em todos os aspetos que a capital do país. Fundada pelo Czar Pedro, o Grande, foi a capital do Império Russo por mais de duzentos anos. São Petersburgo deixou de ser a capital em 1918, após a Revolução Russa de 1917. Entre as cidades do mundo com mais de um milhão de pessoas, São Petersburgo é a que está mais a Norte.Entre as figuras mais conhecidas da cidade contam-se Vladimir Putin, presidente da Rússia; Dmitri Medvedev, ex-presidente da Rússia; Boris Spassky, jogador de xadrez e Alexander Pushkin, natural de Moscovo e falecido em São Petersburgo, foi um romancista e poeta russo, considerado como o maior poeta russo. Entre as ilustres figuras da cidade conta-se ainda Peter Carl Fabergé, o joalheiro da família imperial russa. O expoente máximo da sua arte são os famosos ovos de Fabergé, disputados atualmente pelos mais famosos colecionadores do mundo. Os ovos de Fabergé foram encomendados pelos Romanov para oferecer aos mais ilustres membros da família real russa. Os ovos Fabergé são obras-primas da joalharia; com dimensões variáveis, estas peças eram produzidos com a combinação de materiais como ouro, prata, cobre e pedras preciosas através da utilização de técnicas de esmaltagem plique-à-jour. Alguns, para além de serem ricamente decorados no exterior eram, quando abertos, incrivelmente decorados no interior, muitas vezes com miniaturas funcionais. Foram produzidos cinquenta e quatro ovos para os Czares Alexandre III e Nicolau II; sobreviveram quarenta e seis. A grande maioria encontra-se em exposição em museus públicos de todo o mundo, embora a grande maioria (30) se encontre na Rússia. A rara beleza e valor destas peças de joalharia inspiraram os comuns dos mortais a decorarem ovos de aves para serem utilizados e/ou oferecidos na época da Páscoa.
O cruzador Aurora.
A cidade possui um grande número de monumentos e locais de interesse histórico e arquitetónico. Entre os primeiros encontra-se o cruzador Aurora, fundeado na margem direita do rio Neva, frente ao Hermitage, possui um importante significado histórico. Dele foi dada a salva de tiros a 25 de Outubro de 1917, contra o Palácio de Inverno em Petrogrado (atual São Petersburgo), que assinalou o início da revolução bolchevique, liderada por Lenine. A igreja do Sangue Derramado é um dos monumentos mais impressionantes da cidade. A igreja foi construída no preciso local onde o Czar Alexandre II foi assassinado em 1881 e, posteriormente canonizado; daí o seu nome. No seu interior, encontra-se restos da calçada da época onde tombou o Czar. Esta igreja ortodoxa é mundialmente conhecida pelas suas cúpulas multicolores, embora a generalidade das pessoas a confunda com a Catedral de São Basílio situada num dos extremos da Praça Vermelha, em Moscovo. A igreja do sangue derramado é, no exterior, invulgarmente colorida mas é o seu interior intensamente colorido com tons suaves que lhe confere uma luminosidade inesquecível, amplamente decorada com os 308 painéis com passagens do novo testamento.

A igreja do Sangue Derramado.
Restos da calçada onde foi assassinado o Czar Alexandre II.
O interior da igreja ricamente decorada.
O traçado da cidade de São Petersburgo constitui uma réplica da cidade de Amesterdão, na Holanda, país intimamente ligado à família real russa. A atual bandeira nacional da Rússia é disso exemplo já que é igual à bandeira nacional da Holanda apenas com a troca de posição das cores. Como os canais são uma imagem de marca de Amesterdão, não poderiam faltar em São Petersburgo, só que aqui muito mais regulares, muito mais largos e igualmente muito movimentados e dispostos de forma concêntrica.

Um dos canais da cidade com dois exemplares dos enormes barcos para turistas.
A catedral de Santo Isaac é a maior igreja da Rússia e demorou 40 anos a ser construída. Com pinturas de teto pormenorizadas, esta igreja sobreviveu aos bombardeamentos da II Guerra Mundial.Entre os vários palácios imperiais que se encontram espalhados pela cidade e arredores temos o Tsarskoe Selo, o Peterhof (palácio de verão), além do Hermitage (palácio de Inverno da família real). Localizado a 30 km da cidade, encontra-se o magnífico Peterhof, a residência de verão da família real e que é conhecido pela "Versalhes Russa". É o símbolo da extravagância da russa czarista.

A catedral de Santo Issac.
Vista do Peterhof com a escadaria e magníficas fontes com estátuas douradas.
A Nevskiy Prospekt é avenida principal de São Petersburgo. Com cerca de 5 km de comprimento é o centro da vida social e económica da cidade. Um passeio a pé pela avenida é uma viagem no tempo desde os esplendores da Rússia czarista até aos cafés e lojas modernas de São Petersburgo.

O enorme museu russo alberga a maior coleção de obras dos artistas russos.
Nele podemos ver quadros com com mais de 10 metros de comprimento...

As famosas Matrioskas, bonecas russas de 'encastrar', são uma imagem de marca do país. Hoje, estão disponíveis em todos os tamanhos, cores e motivos...

O 'Sapsan', o combóio de alta velocidade que liga São Petersburgo a Moscovo. Os cerca de  700 km são percorridos em pouco mais de três horas com a máxima segurança e comodidade.


O esquema das ligações da estação ferroviária de São Petersburgo é esclarecedor ...

O metro de Moscovo (Rússia) – Um museu subterrâneo!

O Metro de Moscovo, também conhecido como museu ou palácio subterrâneo, foi inaugurado em 1935, em pleno auge da doutrina leninista, sendo o maior do mundo em termos de passageiros transportados… transporta diariamente 10 milhões de passageiros…, e o quinto mais extenso do mundo atrás do metro de Nova Iorque, Londres, Paris e Tóquio. Mas, não será apenas pela sua grandiosidade que o metro de Moscovo é mundialmente conhecido; é, sobretudo, pela arquitetura das suas estações e pelamedal decoração das mesmas, na sua grande maioria, contemporânea da era estalinista. Sendo local de passagem de milhões de trabalhadores ao longo de seis décadas, abrangendo o período da guerra fria, as estações do metro de Moscovo foram ricamente decoradas com motivos alusivos aos ideais políticos da época, constituindo assim um meio de propaganda política e ajudando à consolidação do regime e dos líderes políticos da época. As estações do metro de Moscovo foram desenhadas pelos arquitetos mais experientes da ex-União Soviética constituindo, hoje, um verdadeiro museu subterrâneo. Por todos estes motivos, a dedicação de um dia para fazer um périplo pelas principais estações de metro desta cidade é, na nossa opinião, uma decisão acertada. Então aqui vamos…  Começamos pela estação de Mayakovskaya, considerada um dos maiores exemplares da arquitetura estalinista pré-II guerra mundial e, também, uma das mais bonitas estações de metro do mundo! A estação possui colunas metálicas revestidas por granito vermelho e aço inoxidável; é decorada com belos pormenores Art Deco e as cúpulas do teto possuem 34 mosaicos retratando um futuro brilhante da União Soviética como previsto pelo pintor Alexander Deyneka.

MayakovskayaA plataforma da estação de Mayakovskaya.

A estação de Kievskaya foi a primeira a ser concluída após o governo de Estaline e era conhecida como a capital da Ucrânia! Esta designação deve-se a Nikita Khruschev, natural de Kiev, a capital da Ucrânia, e que sucedeu Estaline à frente da União Soviética. Atualmente a estação de Kievskaya é conhecida pelos famosos mosaicos coloridos em molduras barrocas, intensamente trabalhadas, representando cenas da história soviética. A base das arcadas é revestida a mármore branco dos Urais.

O hall de entrada da estação de Kievskaya. Entre as arcadas, 
que dão acesso às linhas, encontram-se magníficos mosaicos coloridos.

Pormenor dos mosaicos da estação de Kievskaya.
Pormenor dos mosaicos da estação de Kievskaya.
A estação de Ploshad Revolutia (Praça da Revolução, em português) é constituída por uma dúzia de grandes arcadas revestidas a mármore castanho. Sob cada uma destas arcadas encontram-se duas estátuas ‘humanas’ em bronze, de dimensões naturais, sendo todas elas diferentes. Na estátua que representa um guarda fronteiriço, fotografia seguinte, é tradição a primeira vez que se entra na estação, passar a mão pelo nariz do cão para dar boa-sorte, daí estar mais polido.

As arcadas da estação de Ploshad Revolutia com as famosas estátuas em tamanho natural. 
Amplamente considerada como a mais bela de todas as 150 estações do metro de Moscovo, a estação de Komsomolskaya mais parece uma sala de museu. Situada sob a uma das principais praças de Moscovo, esta estação possui uma decoração barroca, com tetos abobadados e ricamente decorados com mosaicos e com enormes candelabros pendentes.

A nave central da estação de Komsomolskaya.
A estação de Arbatskaya foi construída para servir como bunker e é a segunda maior e a mais profunda (41m) do metro de Moscovo. Terminada um mês após a morte de Estaline, a estação de Arbatskaya possui um design único (elíptico), e uma série de espetaculares decorações barrocas estalinistas.

A nave central da estação de Arbatskaya.
Projetada e decorada por três dos melhores arquitetos da União Soviética a estação de Elektrozavodskaya é uma das mais belas, constituindo um dos ex-libris de Moscovo. Esta imponente estação de metro presta homenagem aos pioneiros da eletricidade. A cúpula da galeria principal é decorada com espetaculares baixos-relevos de Benjamin Franklin, William Gilbert, Mikhail Lomonosov, Yablochkov Pavle, Michael Faraday e Popov Alexander.

A nave central da estação de Elektrozavodskaya.
A estação de Novoslobodskaya projetada por Alexey Dushkin é famosa pelos 32 vitrais iluminados por dentro. Os vitrais russos são bastante conhecidos, tendo os desta estação sido encomendados na Letónia, ex-república da União Soviética. Cada um dos vitrais da estação tem seu próprio desenho e estão embutidos em ‘molduras’ de granito.

A nave central da estação de Novoslobodskaya. Na decoração do fundo é possível 
ver a enorme estrela de cinco pontas, a foice e o martelo…

Pormenor da decoração dos candeeiros da estação, com a estrela de cinco pontas.

Uma simples decoração do teto evidencia os símbolos do aparelho do estado da época. 

Apenas algumas estações foram descritas mas estamos em crer que as estações do metro de Moscovo construídas até à década de 90, constituem verdadeiras salas de um museu que bem podia ser o museu da história da União Soviética.