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Sicília (Itália) – A ilha da história e da ciência.

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O Teatro Grego de Toarmina, com o Etna ao fundo.

Para além das praias e das pitorescas cidades, a Sicília é conhecida mundialmente por albergar o Etna, um dos vulcões mais ativos e espetaculares do mundo. No entanto, poucos saberão que a Sicília concentra a maior quantidade de monumentos da antiga Grécia. São vários os locais que albergam estes monumentos, alguns dos quais com um estado de conservação incrível de que são exemplos o Vale dos Templos (Agrigento), os teatros Gregos de Siracusa e de Taormina, apenas para citar os mais imponentes. 

Foi igualmente na Sicília, na altura a Magna Grécia, que surgiu a expressão mais conhecida no mundo da ciência moderna – EUREKA!, (Encontrei). Foi seu autor Arquimedes, famoso habitante de Siracusa, onde demonstrou ao longo do tempo toda a sua grandiosidade intelectual como cientista, matemático, astrónomo e engenheiro, enfim o maior homem da ciência da antiguidade. É ainda de Arquimedes a famosa frase: “Dai-me um ponto de apoio e eu levantarei o mundo!”, como forma de demonstrar o poder e a importância das alavancas, princípio que é, hoje em dia, utilizado em diversos mecanismos mais ou menos sofisticados. Entre as suas contribuições para a Física, estão as fundações da hidrostática e da estática, tendo descoberto a lei da alavanca, além de muitas outras. Arquimedes inventou ainda vários tipos de máquinas para uso militar e civil, incluindo armas de cerco e o parafuso de Arquimedes. Para defender Siracusa, Arquimedes projetou máquinas capazes de levantar navios inimigos (romanos) para fora da água e colocar navios em chamas usando um conjunto de espelhos (Cerco de Siracusa). 

Na matemática, Arquimedes provou que a esfera tem dois terços do volume e da área da superfície do cilindro a ela circunscrito (incluindo as bases do último), e considerou essa como a maior de suas realizações matemáticas. Deve-se ainda a Arquimedes a primeira tentativa rigorosa de calcular o valor de Pi (uma constante matemática), pela construção de polígono inscrito e circunscrito de 96 lados e encontrou que Pi seria um valor entre 223/71 e 22/7, ou seja, estaria aproximadamente entre 3,1408 e 3,1429. Tal método é o chamado método clássico para cálculo de Pi. Como todos sabemos dos bancos da escola, o valor de Pi é de 3,14159… Por tudo isto, e pelas obras publicadas que chegaram até aos nossos dias, tendo em conta que na antiga Grécia o conhecimento científico era quase nulo (apenas teve início com Galileu no séc. XV), consideramos Arquimedes como o maior génio da ciência de todos os tempos, com todo o respeito e reconhecimento pelas descobertas científicas de Isaac Newton e Albert Einstein, entre outros homens de ciência. 

Esta referência a Arquimedes prende-se com uma visita à cidade de Siracusa, no SE da ilha da Sicília, durante a qual não é possível deixar de nos lembrar do maior génio da humanidade. Ainda hoje é possível visitar espaços frequentados por este génio; Ortigia, o teatro grego, a Ara de Hierão II, o ouvido de Dionísio, entre outros locais, onde teve origem as bases da ciência moderna. A própria cidade não se esquece do seu habitante mais famoso de sempre, tal é a frequência com que é utilizado o nome de Arquimedes. 

O Teatro Grego de Siracusa.
Mas o contributo da Sicília para ciência não se resume a Siracusa; outras ciências como a geologia tiveram um forte impulso nesta ilha. Não nos referimos a Empédocles, sábio grego natural de Agrigento (Sicília) que, ao que se consta, morreu por se ter atirado para a cratera do Etna em erupção, numa tentativa de provar algumas das suas ideias. Mas, o Etna foi e é um gigantesco laboratório natural, até pela sua regularidade eruptiva. Numa das vertentes do Etna encontramos um espetacular parque geológico e botânico o ‘Desfiladeiro Alcantara’ (Gole Alcantara), em Giardini-Naxos. 

Uma das praias do parque Gole Alcantara.
O desfiladeiro de Alcantara.
Trata-se de um parque natural, percorrido a pé, onde é possível observar incríveis formações vulcânicas esculpidas em basalto; são exemplos, um desfiladeiro com uma profundidade de 70 metros e uma largura de 5 metros, e a raridade da disjunção prismática do basalto. Os visitantes podem ainda frequentar as praias naturais do parque, com águas cristalinas esverdeadas, rodeadas de rocha preta (basalto) e por uma luxuriante vegetação verde. No dia da nossa visita faziam uns normais 37ºC de temperatura, normal nos meses de verão na Sicília, fator que faz também atrair muitos visitantes ao parque nesta altura do ano. Ainda no domínio das ciências da Terra, não podemos deixar de referir um conjunto de pequenas ilhas a norte da Sicília, as ilhas Eólias, mais um importante laboratório geológico natural de que fazem parte as ilhas de Stromboli, Vulcano, Lipari e Alicudi, pela diversidade de fenómenos vulcânicos num curto espaço geográfico. 

Vale dos Templos – O Vale dos Templos situa-se próximo da cidade de Agrigento, em pleno interior da Sicília. Trata-se de uma extensa área situada num vale onde se encontram dezenas de templos, uns mais degradados do que outros, que testemunham este local como sendo o mais importante da Magna Grécia e, seguramente, um dos mais imponentes da antiga Grécia. Os importantes testemunhos arquitetónicos da antiga cidade estão espalhados neste vale único no mundo pela sua extensão, riquezas paisagísticas, ambientais e monumentais. O Vale dos Templos possui mesmo a maior concentração de monumentos da antiga Grécia. O monumento com melhor estado de conservação é o Templo da Concórdia, com acesso através da Via Áurea. Trata-se de um dos templos dóricos mais bem conservado da antiga Grécia. Este templo, que domina o Vale dos Templos e o centro da antiga cidade, é um períptero com seis colunas na frente e com um total de 34 colunas, sustentado numa escadaria com quatro degraus. 

Também se mantém em bom estado de conservação a base e o pedestal e o altar dedicado a Zeus Olímpico, um recinto de 112 por 56 metros que foi um dos maiores templos da antiguidade. O Templo de Juno Lacinia é também enorme e situa-se no ponto mais alto de uma colina, sendo igualmente de estilo dórico como todos os outros. Entre os templos romanos, quando o local foi conquistado pelo império romano, temos os restos do Templo dedicado a Castor e Pólux. 

O famoso Templo da Concórdia. 
Colunas dóricas do Templo de Hércules.
Selinonte – O parque arqueológico desta antiga cidade, situa-se nos limites da cidade de Castelvetrano, e possui uma extensa área onde se encontra uma acrópole com as ruínas de dezenas de monumentos e edifícios que constituíam a antiga cidade de Selinonte. 

Teatro Grego de Toarmina – O teatro grego de Taormina situa-se em plena área urbana de Taormina, que se situa numa escarpada vertente do monte Tauro. Trata-se da cidade pequena, mas a mais turística da Sicília, constituída por ruas muito estreitas e sinuosas, onde se encontram centenas de esplanadas de diversos restaurantes típicos, alguns com vistas fantásticas para a costa de Taormina tendo o Etna em pano de fundo. O Teatro Grego de Taormina representa o elemento de maior interesse turístico da cidade, graças à sua excecional localização, com vistas panorâmicas para a costa calabresa e jónica com o imponente Etna a dominar a paisagem a SE. O Teatro Grego de Toarmina possui um bom estado de conservação e, pelas suas dimensões (109 m de diâmetro da cávea; secção da orquestra com 35 m) e pelo majestoso e imponente monumento, o teatro grego de Toarmina é considerado um dos mais importante edifícios teatrais do período helenístico. Ainda hoje é utilizado para alguns espetáculos. 

O Teatro Grego de Toarmina, com o Etna ao fundo. 
Villa Romana de Casale – Os grandes proprietários romanos souberam tirar proveito da terra sem, por isso, renunciar ao luxo e às comodidades. Nas suas propriedades agrícolas construíram bonitas vilas que se converteram no símbolo da economia agrária do Império. A vila romana de Casale, fica situada junto da localidade de Piazza Armerina, no interior da Sicília. Não se trata de mais uma simples vila romana, mas antes do maior e mais rico exemplar das vilas romanas com o maior e mais bem conservado conjunto de mosaicos romanos. A entrada da vila é decorada com três arcos e colunas de estilo jónico, as quais davam acesso às termas e ao ginásio. A seguir, um vestíbulo dava passagem para o grande peristilo interior do qual se podia aceder aos aposentos e ao triclinium. Para além das dimensões e do luxo desta propriedade rural, o que realmente surpreende são os mosaicos decorativos que cobrem uma superfície de cerca de 3000 metros quadrados. Os mosaicos incluem desde representações da família: a dona com os filhos no banho, meninos a brincar, etc., até cenas de caça e pesca, corridas de quadrigas, imagens mitológicas, etc. O percurso da visita pelas diferentes salas efetua-se por passadiços metálicos sobrelevados, para impedir o desgaste dos mosaicos e também para os visualizar com a melhor perspetiva para que se possa admirar a sua impressionante beleza e grandiosidade. Trata-se de um dos pontos mais altos na visita à Sicília e, por isso, imperdível. 

Interior da vila romana de Casale com os famosos mosaicos. 
Pormenor dos famosos mosaicos de Casale. 
Pormenor dos famosos mosaicos de Casale. 
Maquete da vila romana de Casale. 
Várias outras cidades da Sicília como Catânia e Palermo, possuem importantes pontos de interesse, assim como outros núcleos históricos com monumentos, por exemplo, Ragusa e Segesta. Por tudo isto a Sicília é um importante destino turístico para quem quer aprender mais e conhecer monumentos e paisagens únicas no mundo, além das espetaculares praias na parte sul da ilha.

S. Gimignano (Itália) - A torre como símbolo de poder.

Vista da torre mais alta de S. Gimignano com as colinas da Toscânia ao fundo.
S. Gimignano é uma pequena cidadela medieval, muralhada, situada na Toscânia, no centro de Itália. Faz parte das cidades património da humanidade pela UNESCO. As suas estreitas vias e ruelas estão apinhadas de turistas nos meses de verão, onde a arquitetura, o tipo de comércio, de gastronomia e as personagens trajando a rigor que percorrem a cidade, criam uma atmosfera medieval levando o visitante a regressar até à Idade Média. S. Gimignano é perfeitamente visível a longa distância devido às suas enormes torres, algumas com mais de 15 metros de altura. Hoje, permanecem 13 torres das 72 torres que existiam no século XIV, quando as famílias mais ricas construíam uma torre para mostrar seu poder económico (muitas deles ainda são visíveis nos edifícios, mesmo que tenham sido cortadas). As torres eram usadas de modos diferentes. A maioria possuía quartos que eram de dimensões muito reduzidas com poucas aberturas; as paredes, com cerca de 2 m de espessura, mantinham a temperatura fresca no verão e quente no inverno. Quase todas as torres foram construídas ao lado de outros edifícios em materiais perecíveis como madeira e terra, além da pedra. Nos tempos medievais a torre era o maior símbolo de poder, principalmente porque o processo de construção era bastante complexo e, consequentemente, bastante dispendioso. Por esta razão apenas as famílias mais ricas dos mercadores e nobres podiam suportar tal construção. A casa ocupava apenas uma parte da torre. O piso térreo era composto por lojas comerciais, o primeiro andar tinha os quartos. O destino de cada uma das dependências cumpria as simples regras de segurança. A cozinha onde o fogo estava, geralmente, sempre aceso ocupava a divisão mais elevada, para que os habitantes pudessem escapar em caso de incêndio. A cidadela italiana de S. Gimignano prosperou graças à sua localização na rota dos peregrinos que se dirigiam para Roma. A Via Francigena, uma das mais importantes da cidade, recebeu verdadeiras obras de arte que decoravam os palácios, igrejas e conventos. A Piazza Del Duomo é o ponto central de S. Gemignano. A Collegiatta, uma igreja românica do século XII guarda muitos frescos que retratam episódios do Velho Testamento, Cenas da Vida de Cristo e o Juízo Final. Na mesma praça, o Palazzo del Popolo abriga o Museu Cívico, com frescos no pátio que mostram os brasões dos governantes da cidade, a Virgem e Menino e um grande fresco da Maestá. O palácio, serve também de acesso à mais alta das torres medievais hoje existentes. A subida ao cimo desta torre é penosa mas a paisagem que nossa espera no topo é um verdadeiro postal ilustrado da Toscânia. Uma visita a S. Gemignano não ficaria completa sem entramos numa gelataria para nos deliciarmos com um gelado italiano, tão famoso como as torres da cidadela.

Algumas das famosas torres de S. Gimignano.
A Piazza Del Duomo é o ponto central de S. Gimignano.
A Piazza Del Duomo vista da torre mais alta de S. Gimignano.

Florença (Itália) – A cidade de excessos…


Florença - A ponte de Vecchio sobre o Arno.
Florença fica situada na Toscânia, mais ou menos a meio caminho entre Milão e Roma. A cidade possui mais de 80 museus, a ponte mais famosa da Itália (ponte de Vecchio), lindas praças, ambiente acolhedor, centenas de pessoas a passear nas suas ruas estritas e um centro histórico que é património da humanidade. Florença é a capital do renascimento. Se pensarmos, ainda, que por esta cidade passaram os maiores vultos da arquitetura, da pintura e da ciência, então temos uma cidade de excessos. A cidade reúne grande parte do acervo artístico italiano, como a obra mais famosa de Michelangelo, uma das mais bonitas igrejas do mundo e um dos mais ricos acervos de pintura do planeta.

As principais atrações de Florença são: A catedral (Duomo) com uma arquitetura gótica bem peculiar, começou a ser construída em 1296 e demorou vários séculos para ser concluída. Além da fachada, lindíssima, revestida por mármore branco e verde, que proporciona ao visitante um jogo de efeitos fantásticos, esta catedral possui a famosa cúpula de Brunelleschi com o fresco de Giorgio Vasari (O Juízo Final, 1572-79). O Campanário é a torre do sino da catedral; tem 82 metros de altura. As maiores riquezas do campanário, iniciado em 1334 sob a orientação do pintor Giotto, estão na fachada e nos relevos de terracota de Andrea Pisano.
O Batistério, situado em frente da catedral, é a construção mais antiga do conjunto que poderia ser chamado de “santíssima trindade arquitetónica” da Piazza del Duomo, composto, também, da catedral e do campanário. As grandes atrações do batistério, erguido no século VI, são as portas, principalmente as do lado leste, chamadas por Michelangelo de Porta do Paraíso, cujo autor é Lorenzo Ghiberti (1425-1452).

O edifício da geleria Uffizi foi construído em 1560 por Cosme I, grão-duque da família Médici, a mesma que controlou a cidade no período mais rico da história florentina (entre os séculos XIV e XVI). Hoje, alberga a fantástica coleção de pinturas reunida pelos Médici. Entre as obras mais famosas da galeria encontra-se Doni Tondo (ou Sagrada Família), de Michelangelo; Madona de Goldfinch, de Rafael, e Vênus de Urbino, de Ticiano, além da Primavera e O Nascimento de Vênus, de Botticelli.

A ponte de Vecchio, sobre o rio Arno, é o mais famoso bilhete postal de Florença. Foi construída em 1345 e hoje alberga dezenas de belas lojas, quase todas ourivesarias. O palácio Pitti é uma imponente construção de 1460 projetada por Filippo Brunelleschi. Alberga um conjunto de museus, dentre eles a Galleria Palatina. O seu acervo é uma verdadeira overdose de famosos pintores italianos: Rafael, Ticiano, Caravaggio, Filippo Lippi, Andrea del Sarto e Tintoretto.

Embora não esteja incluída na maior parte dos roteiros turísticos, na nossa opinião, uma visita ao museu da história da ciência de Florença é obrigatória. Se nos lembrarmos que o método científico teve origem no renascimento, mais precisamente nesta cidade, com Galileu como expoente máximo, então este museu reúne os primeiros instrumentos que fundaram a ciência moderna. Percorrer as salas deste museu é como folhear os livros da escola; lá está o plano inclinado de Galileu, vários telescópios e diversos outros instrumentos criados por este génio; uma esfera armilar do renascimento; os primeiros modelos de anatomia humana; vários instrumentos criados por Leonardo Da Vinci e muitos outros instrumentos, hoje rudimentares, que estiveram na origem da ciência moderna. Entre estes o quadrante fabricado por James Kynuyn, em 1595; trata-se do único instrumento que existe dispondo do nónio de Pedro Nunes. Imperdível!
Imperdível é também a igreja de Santa Cruz (Santa Croce), em Florença. As suas capelas foram projetadas por Giotto, Della Robbia e Brunelleschi. Mas não se trata de uma igreja convencional; é um autêntico panteão do renascimento e não só.
Esta igreja alberga 276 túmulos e sepulturas de nomes imortais das artes e das ciências, como Michelangelo, Ghiberti, Machiavelli, Dante, Galileu, Guglielmo Marconi e Enrico Fermi, só para citar alguns. Por tudo isto Florença é uma cidade de excessos.

A fachada principal da catedral de Florença (Duomo).
Pormenor da porta do paraíso do batistério de Florença .
Cúpula da catedral de Florença, vista do Campanário.
Montra da uma loja da ponte de Vecchio.
Fachada do Museu de História da Ciência.
Fachada da igreja de Santa Croce.
Túmulo de Galileu na igreja de Santa Croce.

Pompeia (Itália) – A cidade renascida das cinzas.

O Forum de Pompeia com o Vesúvio em fundo.
A cidade de Pompeia situa-se no sul de Itália a cerca de 25 Km de Nápoles. Trata-se de uma cidade pequena com as infraestruturas normais para uma cidade da sua dimensão. Não será por este motivo que a área é considerada património da humanidade pela UNESCO. A cidade moderna de Pompeia alberga no seu interior as ruínas da cidade romana com o mesmo nome, tendo a primeira crescido em função desta última. A cidade romana de Pompeia recebe anualmente largas dezenas de milhares de turistas que percorrem calmamente as suas ruas e praças, descobrindo como era a vida dos romanos há cerca de dois mil anos. 

Efetivamente, as ruínas de Pompeia representam uma das maiores catástrofes naturais que aconteceram no planeta Terra. Até ao dia 24 de agosto de 79 d.C. a cidade romana de Pompeia era uma próspera cidade com cerca de 15 mil habitantes. Contudo, este dia, marca o início do fim da cidade, já que a 25 Km de distância, nos arredores de Nápoles, o Vesúvio entrava em erupção. Certamente que os habitantes da cidade pensaram que estavam em segurança, protegidos pela distância ao vulcão, o que revela um profundo desconhecimento e desrespeito pelas forças da natureza.
A erupção começou com uma intensa chuva de cinza vulcânica (lapilli), acompanhada de sismos violentos que destruíram a cidade, soterrando a maioria dos seus habitantes. Algumas horas depois a erupção evoluiu para o tipo mais mortífero já que se formou, na cratera, uma nuvem piroclástica que desceu rapidamente o flanco do Vesúvio em direção a Pompeia — a 25 Km — e a Herculano, nos arredores de Nápoles. Esta nuvem desloca-se a uma velocidade entre os 800 e 1000 km/h (a velocidade de um avião comercial), incinerando tudo por onde passa, uma vez que no seu interior estão gases a cerca de 1000ºC! Com esta velocidade e com esta temperatura, esta nuvem piroclástica demorou pouco mais de um minuto a percorrer os 25 km até atingir Pompeia. As cidades atingidas por esta catástrofe ficaram totalmente soterradas por uma espessa camada de cinza vulcânica, com cerca de 8 metros de altura! 

O estado de conservação de alguns edifícios de Pompeia é notável.
Pompeia apenas foi descoberta no séc. XIX e puseram a descoberto grande parte da cidade romana, com os seus belos mosaicos e pinturas murais dos séculos II e I a.C. Além de Pompeia, a maior das cidades atingidas, também Herculano situada a escassos quilómetros da cratera do Vesúvio e Stabia, esta situada junto ao porto de Nápoles foram também soterradas.
Como é óbvio, esta não foi uma catástrofe isolada do Vesúvio, certamente que voltará a acontecer, só não se sabe quando. Se pensarmos que esta área encontra-se hoje intensamente urbanizada, com mais de 3 milhões de habitantes vivendo a escassas centenas de metros do Vesúvio, então está explicada a razão pela qual este é o vulcão mais vigiado do mundo.

Artefactos recuperados nas escavações de Pompeia. 
A cinza vulcânica permitiu criar moldes em gesso, neste caso de um cão em sofrimento.
Pompeia-Modelo em gesso de um ser humano.
Herculano-O estado de conservação das ruínas é também notável.
Herculano-Exemplar do estado de conservação de algumas pinturas.
Em primeiro plano as ruínas de Herculano, ao fundo, num plano mais elevado,
vemos as modernas casas de Nápoles que foi parcialmente construída sobre
Herculano e por último o eterno Vesúvio.

Etna (Sicília, Itália) – O colosso da natureza.

Vista do cone principal do Etna com o imenso manto basáltico. 
O Etna é o maior vulcão da Europa. A subida à sua cratera constitui uma experiência inesquecível. Situada a cerca de 3300 metros de altitude, a subida até à cratera é bastante exigente, mas a vista que se alcança do topo é fantástica. Além do mar mediterrâneo, podemos ver outro mar; um mar negro de escoadas de lava que o Etna expeliu ao longo dos últimos anos. A volumetria, extensão e caraterísticas destas formações, deixam o mais comum dos seres humanos sem palavras e em silêncio… assumindo que está perante um santuário, neste caso natural. 

A cratera do Etna com manifestações de atividade vulcânica.

A subida à cratera do Etna é bastante exigente. Processa-se em três fases. A vertente norte é a mais acessível para quem sai de Taormina. Viajando de automóvel por autoestrada em direção ao sul, seguimos depois por uma estrada ziguezagueante por entre as escoadas de lava até ao refúgio de Piano Provenzana (2000 m).

Em Piano Provenzana o trajeto faz-se em pequenos autocarros de tração integral.


A segunda fase tem início neste refúgio, mas não de automóvel. A partir daqui, e sempre acompanhado por um guia local, um mini-bus todo-o-terreno conduz os visitantes através de um percurso íngreme e ziguezagueante por caminhos de cinza vulcânica com alguns lances de cortar o fôlego, que passa pelo Vale de Bove, depressão por onde deslizou a lava das erupções de 1993. Pelo caminho, cruza-se uma paisagem lunar de cinzas e de escoadas de basalto formadas durante as erupções que ocorreram entre 1956 e 1983.
O penoso percurso até à cratera do Etna.
A cerca de 2800 m de altitude o mini-bus deixa os visitantes num pequeno planalto e tem início a terceira fase. Para os mais corajosos, espera-os uma subida a pé, estilo trekking, muito íngreme até à cratera situada a cerca de 3300 m de altitude. Trata-se de um caminho pouco definido, em cinza vulcânica muito fina que, liberta um pó ultra-fino muito incomodativo. A subida é muito exigente em termos físicos; devemos ir equipados com calçado de montanha e roupa quente, mesmo no verão são aconselháveis, por isso esta subida deixa para trás alguns dos candidatos corajosos. Após cerca de 40 minutos lá chegamos a uma das crateras do Etna, como sempre em atividade. No topo, um limite de aproximação das crateras (cerca de 50 metros) deve ser respeitado. As crateras fumegantes libertam um cheiro quase insuportável, fruto dos gases sulfureto de hidrogénio e dióxido de enxofre. Olhando em volta, a paisagem é inesquecível – mais perto de nós um extenso mar negro de basalto, segue-se um mar verde de floresta e, mais longe um mar azul de água - o mediterrâneo.

A cratera Bocca Nuova com intensa atividade de fumarola.
Uma enorme escoada de lava próximo da cratera engoliu uma floresta.

Vesúvio (Itália) - A ameaça permanente

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O Vesúvio à direita com o monte Somma à esquerda, visto da baía da Nápoles.
O Vesúvio é um dos vulcões mais vigiados do mundo. A última grande erupção ocorreu em 1944. Mas, ninguém se esquece do cataclismo vulcânico que conduziu à destruição de Herculaneum e Pompeia no dia 24 de Agosto de 79 d.C., quando uma nuvem piroclástica formada por materiais com uma temperatura elevadíssima, desceu rapidamente os flancos do Vesúvio. Pompeia, Herculanum e outras cidades romanas ficaram soterradas com uma camada de cinza vulcânica de seis metros de espessura.
A subida à cratera do Vesúvio, situada a cerca de 1200 m de altitude, é relativamente fácil. A partir de Pompeia, de automóvel, demora-se cerca de 45 minutos a chegar aos 900 m por uma estrada muito estreita e ziguezagueante encosta acima. Neste local deixamos a viatura e iniciamos uma subida íngreme, estilo trackking, por um caminho em cinza vulcânica até atingir a cratera. Aí deparamos com uma enorme depressão negra, ainda com atividade vulcânica residual (foto acima). Se as condições do tempo o permitirem, a vista sobre Nápoles e arredores é deslumbrante. Podemos mesmo ver as Ilhas de Capri e Ischia, na baía de Nápoles.

Vista do interior da cratera do Vesúvio.

Ferrari (Maranello, Itália) – O sonho aqui tão perto…

A entrada principal da fábrica da Ferrari.
Poucos lugares haverá no Mundo tão emblemáticos como a sede da Ferrari, mais propriamente a Galeria Ferrari (Museu), já que a fábrica não é permitido visitar devido à espionagem industrial.
O quartel-general da Ferrari situa-se em Maranello, no centro da Itália, num dos vértices do chamado triângulo dos motores juntamente com a Lamborghini e a Maserati.

A entrada principal da Galeria Ferrari, o museu da marca.
A Galeria Ferrari constitui o museu da marca e regista diariamente um corrupio de visitantes. Aqui estão expostos todos os modelos que a marca produziu com especial destaque para aqueles que, ao longo dos tempos, alcançaram títulos mundiais, desde os mais clássicos até aos mais recentes, Enzo, 458 e o Fiorano, sem esquecer os F1. Tudo o que está ligado aos automóveis Ferrari está aqui igualmente exposto: boxes, motores, estudos técnicos, etc. e, como não podia deixar de ser, a recheada sala dos troféus.
Todos os fãs, jovens e menos jovens, percorrem com emoção este ‘santuário’. Á saída, mesmo em frente à Galeria, um punhado de casas comerciais vendem todo o tipo de merchandising da marca. Para os mais abonados também é possível acelerar num Ferrari pelas avenidas da cidade, sempre na companhia de um piloto experiente, não vá acontecer algum excesso nas ruas de Maranello. Pode inclusive escolher o modelo do Ferrari que deseja tripolar… Realmente um lugar de sonho.
Eis alguns exemplares expostos no museu da marca.


Uma das várias casas de merchandising junto ao museu.